Carta de um dirigente do Sindaen

Amanheceu, lembrei que tinha compromissos lá na Sanepar e fui verificar os problemas dos funcionários da ETA.

Quando atravessava o pátio do estacionamento, fiquei surpreso ao ver todos os carros da empresa com adesivo perfurado no vidro traseiro. Ainda estarrecido, perguntei aos colegas próximos como foi que se deu essa mágica, pois tinha passado no mesmo local no dia anterior e não havia nenhum veículo no pátio da Sanepar com adesivos. Contrataram uma empresa para colocar os adesivos, falaram… como podem contratar serviços para algo tão irregular?

“Não é irregular”, me disseram. Tentaram me convencer de que a colocação desses “perfurades” é permitida pela legislação de trânsito, mas não me falaram sobre usar os carros de uma empresa pública para fazer propaganda eleitoral – e ainda fora do prazo. “Propaganda da Tarifa Social”. Opa! Mudou de nome agora né?

As pessoas nem sabiam disso, mas a “Tarifa Social” foi implementada na Sanepar via decreto 2460/2004, na gestão do ex-governador Roberto Requião.

Agora é “Água Solidária”, na gestão do atual governador. Que coisa, né? Mas aí eu pergunto: pode gastar dinheiro público, da arrecadação da Sanepar, para adesivar carros da empresa?

Aí o diretor da Sanepar pode dizer que faz “de acordo com as normas”, mas ele gosta de usar uma palavra do inglês, né? Será que os acionistas sabem que estão gastando dinheiro à toa?

E como técnico de segurança, há muitos anos na empresa, digo que qualquer coisa que dificulta a visão do motorista deve ser ponderada. Vão ter que tirar. Pois é, mas aí o problema não é só questão de segurança, tem também a questão da ética e o uso do instrumento público para campanha eleitoral. E devolvemos novamente ao diretor da empresa, que autorizou a colagem: quanto recurso foi gasto com isso?

Não deve ser transparente? As normas não exigem transparência?

Com esse valor, não poderia ter pagado ao trabalhador sanepariano um ganho real no reajuste salarial?

A todos ameaçam, coagindo, dizendo que todos devem seguir o tal código de conduta, mas será que os diretores da Sanepar não estão sujeitos a ela? É uma via de mão dupla. Se valer para nós, trabalhadores, vale também para eles.