É preocupante a forma como vêm sendo conduzidas as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho deste ano pela diretoria da Sanepar.
A atual diretoria administrativa, apesar de ter assumido publicamente que as relações sindicais não seriam prejudicadas, o que estamos constatando é o contrário: a não participação direta da diretoria responsável que possuí autonomia para tratar dos pontos centrais da negociação. Pelo contrário, os representantes da empresa nas reuniões não podem oferecer reajustes, não podem negociar cláusulas econômicas de fato, não podem avançar além do roteiro previamente estabelecido.
O que se viu na mesa de negociação foi uma encenação onde a empresa se limitou a repetir o que todos já sabiam. A proposta colocada pela empresa é extremamente enxuta, sem avanços concretos e com pontos que podem representar prejuízos aos trabalhadores.
Negociação pressupõe debate de ideias, avaliação de itens e posicionamento claro. Porém, não houve a mínima consideração às pautas construídas pelas entidades sindicais. A reivindicação encaminhada pelos sindicatos contém uns 70 itens coletados com os trabalhadores. E a empresa, em resposta a pauta encaminhada, apresentou uma contraproposta totalmente enxuta, ignorando quase todos os pontos levantados. O mínimo que a empresa deveria fazer seria responder, ponto a ponto, a pauta apresentada. Essa atitude da empresa é desconsideração com os trabalhadores.
Diante dessa atitude, as entidades sindicais levantam algumas preocupações, dentre elas:
- A falta de um índice de reajuste decente que traga efetivamente aumento real;
- Tentativas de implementação de escalas ainda não devidamente regulamentadas;
- Falta de garantias claras em relação à data-base;
- Ausência de justificativas transparentes para uma proposta considerada aquém das expectativas da categoria.
Para o presidente do Sindaen, “a Sanepar ignora totalmente as reivindicações sindicais, pautadas pelos trabalhadores, e envia uma proposta que nada tem a ver com a nossa realidade. Isso é um insulto. Não aceitaremos retrocessos ou desrespeito ao processo coletivo e aos trabalhadores”.
Diante do impasse e do desdém da empresa, o Sindaen irá reenviar a pauta original na íntegra. “Não aceitaremos participar de um jogo onde apenas um lado joga e o outro apenas assiste”.
“Acreditamos ser importante a retomada das reuniões presenciais, com a participação dos sindicatos, diretor administrativo e a comissão negocial”, finaliza o presidente Sebastião da Silva.



